T R A N S P A R Ê N C I A S

sábado, 24 de maio de 2008

NOTAS DIVERSAS


Ilustração do livro de poemas "Vida Paixão e Tormento" de António Luis
(capa do livro)


ATELIER

ATELIER

ATELIER


Livros onde se encontra mencionada:
- ARTES PLÁSTICAS PORTUGAL, o artista seu mercado de Narciso Martins
- ESTAR EDITORA – dicionário das galerias e artistas plásticos
- ARTES PLÁSTICAS III, de Fernando Infante do Carmo
- MAGAZINE DAS ARTES PLÁSTICAS

O Clube de coleccionismo da P. Telecom colocou 4 aguarelas referentes à ponte D. Luís e ponte da Arrábida do Porto numa colecção de cartões telefónicos com as reproduções das mesmas, cujo tema é “Vistas do Douro I, II, III, IV” Está representada na Comuna de Priverno em Itália, na Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, na P. Telecom, no Governo Civil do Porto, na Fundação Eng. António de Almeida, na ANJE - Associação Nacional de Jovens Empresários, na Ordem dos Médicos, assim como em muitas colecções particulares tanto em Portugal como no estrangeiro. Figura nos arquivos da ANIM (Cinemateca Portuguesa), num filme sobre a sua obra realizado por Álvaro Queiroz

EXPOSIÇÕES COLECTIVAS

Na antiga cadeia da Relação do Porto, organizada pela Fundação da Assistência Médica Internacional – AMI no Porto,
1º exp. de pintura, desenho e escultura da P.T. no Fórum Picoas – Lisboa.
20º Aniversário do Inst. De Ciências Biomédicas Abel Salazar – Porto,
GAIARTE- V Bienal de Arte – Rotary Club – V. N. de Gaia,
Fundação Ouro Negro – Alcabideche,
Várias exposições dos sócios da Coop. Árvore – Porto,
Exposição de Cartofilia na PT - Porto,
Galeria Torres Bárbara – V. N. de Gaia.
Museu da Cidade, Campo Grande/Pavilhão Branco, organizada pela Associação Viver Criança - Ruben Cunha e a Câmara Municipal de Lisboa – Lisboa,
Exp. Anjo Nu, no Museu do Carro Eléctrico – Porto,
GAIARTE, VI Bienal de Arte – Rotary Club – V. N. de Gaia,
Algumas através do instituto Nacional da Habitação – Lisboa,
ANJE – Associação Nacional dos Jovens Empresários – Porto
Participação na 4ª Exp. Colectiva da Galeria 9Arte na HESTIA – Matosinhos.
9ª Exposição Internacional de Artes Plásticas, organizada pela Câmara Municipal de Vendas Novas – Vendas Novas,
7º leilão Espaço t , na Ordem dos Médicos - Porto
Espaço Tenente Valadim, na PT - Porto
“Arte na Leira 2007” Casa do Marco, Serra da Arga - Caminha
Na biblioteca Municipal de Gaia, organizada pelos Artistas de Gaia, assim como na exposição Pequeno Formato - V.N. de Gaia
No 30ª Aniversário da Artexpo, no pavilhão Jacob K. Convention Center localizado em Garment District - Nova York
Exposição referente ao bicentenário das invasões francesas a Portugal no Museu Etnográfico de Válega - Válega
AXA Portugal, Companhia de Seguros de Vida, S.A.  Porto
Galeria 9arte  -   Lisboa
Galeria 74  -  Porto

Pavilhão da ATEAR GALERIA na ARTEXPO
Pavilhão Jacob K. Convention Center localizado em Garment District em Nova York




quarta-feira, 14 de maio de 2008

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

1990 - Edifício dos TLP, em Tenente Valadim - Porto
1991 - Sindicato dos Bancários do Norte - Porto
Galeria de Arte M. Manuela - V. N. de Gaia
1992 - Loja 116, Galerias dos Alto da Barra - Oeiras
1993 - Junta de Freguesia de Leça da Palmeira - Leça da Palmeira
          Hotel Meridien - Porto
1994 - Unicepe - Porto
1995 - Hotel Meridien - Porto
1996 - Galeria de exposições do Clube da PT - Lisboa
1997 - Espaço d’Arte - Porto
1998 - Centro UNESCO, a convite da Fund. Eng. António de Almeida - Porto
Galeria Geraldes da Silva - Porto
2002 - Livraria Letras e Conchas - Leça da Palmeira
2004 - Livraria Letras e Conchas - Leça da Palmeira
2006 - Galeria dos Artistas de Gaia - V. N. de Gaia

GALERIA DOS ARTISTAS DE GAIA








2007 - Espaço Moda e Arte “Ana Santos” - Matosinhos2008 - Galeria Geraldes da Silva - Porto
2011  -Clube Literário do Porto  -  Porto
          Espaço PT – Andrade Corvo  -  Lisboa
2012-   Museu D.Diogo de Sousa  -  Braga

Maria Cândida Fernandes

(Ex-Vice Presidente da Junta Freg. L. Palmeira)

……Pessoalmente fiquei muito sensibilizada com a temática dos quadros, na escolha dos elementos ambientais, na luz que existe sem denunciar a fonte, nos tons esbatidos dos azuis, verdes, vermelhos e amarelos que transmitem uma interioridade envolvente.
A presença de quadros dentro dos quadros, sugere uma memória, como imagem perspectiva do fundo do tempo.

….Personally I got touched with the paintings subject, with the choice of environamental elements, the light from an hidden source, the blurred blue, red, and yellow that yake us to an inner surrounding. Paintings within paintings suggest a memory, as a perspective image from the bottom of time
By: MARIA CÂNDIDA FERNANDES - 1993

Rogério dos Santos

(Escritor e professor universitário)

Escrever sobre pintura é sempre trair a obra de arte. Esta está lá, vale por si. No lirismo das cores, no percurso das formas, no telúrico das manchas.

A paisagem de verdes e de azuis, o Porto ribeirinho ao poente, os esboços de figuras humanas, as manchas abstractas de aguarelas mais recentes, fazem parte de um repertório e de uma expressão a que Maria Antonieta Castro já nos habituou.

As suas aguarelas lembram cheiros, gostos, sensibilidades. De vários sítios, com experiências, em que a água, o fogo, a terra e o ar surgem como elementos fundamentais.

Writing about painting is always a form of betrayal of an object of art. It exists. It stands for itself, in the lyrism of the colours, in the circuit of its forms and in the telluric of its stains.
The blue and green landscape of Oport’s west riparian, the sketches of human figures, the abstract stains of recent watercolours, belong to a compilation of expressions that Antonieta Castro has accustomed us.
Her watercolours remind us of smells, tastes and sensibilities of various places and of many experiences which water, fire, earth and air appear as important elements.
By: ROGÉRIO DOS SANTOS 1991

Cristovam Dias

(fotógrafo)

Um artista só expõe, apenas porque é o que é: Um artista pinta e não guarda em casa. Não esconde da vista de todos nós aquilo que afinal a todos pertence; a sua obra e o seu ser.
De dentro de si, e note-se que aqui não há homem nem mulher, somos todos iguais, de tempos em tempos rompe de uma forma imparável o resultado do seu amor, da sua alegria, da sua tristeza, do seu sofrimento, da sua força, de tudo o que está dentro de si, e não se pode ver senão na superfície de um papel, de uma tela, de uma madeira, de um bronze, etc.
O seu ser rasga-se, e através das suas mãos vem mostrar-nos o que tinha lá dentro, e não pode por mais tempo aguentar. Tal como a erupção dum vulcão violenta, sem data pré-marcada, ela aí está de novo activa.
È esta força, este calor, esta violência, mas também este sofrimento e amor que poderemos sentir nestes trabalhos, é este VULCÃO que a Maria Antonieta nos mostra hoje


An artist exhibits only because of what he is: an artist. He paints. He doesn’t retain it ay home. He doesn’t hide the painting from everybody’sight because it belongs to all of his masterpiece is his being.
From within himself, we note here, that there’s no man or women we are all equal, from time to time, the inseparable result of this love breaks off his happiness, his sadness, his suffering, his strength, everything within himself and we can’t see anything but the surface of a paper, of a canvas of a piece of wood, of bronze, etc. His being divides itself, and through his hands, he shows us what he has inside, and which he can’t hold anylonger.
Like the eruption of a violent volcano, without a set date, here we find her active again. And to this strength, this heat, this violence, but also this love and suffering that we can feel in these paintings, is this volcano that Maria Antonieta shows us here today.

Castro Reis

(Escritor e Poeta)

NOS CAMINHOS DA ARTE

Falar de Arte e dos seus cultores, não é tão simples como poderá parecer à primeira vista. Não é artista quem quer - , pois nem todos nasceram para ser artistas.

A Arte – é uma coisa muito séria e é preciso tratá-la como ela merece. È essa a subtil e real imagem que nos transmite a nos foi dado observar nos trabalhos agora apresentados nesta mostra, pela Maria Antonieta Castro (Tonéca).

As suas aguarelas dão-nos a profunda dimensão da sua alada espiritualidade artística e do mágico universo e poder de criatividade de que se revestem, tão sublime e íntima é a sua expressão plástica e a sua mensagem de ideal e beleza.

A sua visão na concepção de arte, é perfeitamente definida na forma figurativa como trata os seus trabalhos, imprimindo-lhes uma orquestração colorida e poética que envolve as suas manchas de ternura e suavidade, como que, cobertas por um manto diáfano de brisa e poesia.

Não há dúvida de que estamos na presença de uma Artista de apreciáveis recursos e talento. Parabéns e votos de muitos êxitos.

São assim os Artistas, os Eleitos,

Os Arautos do Belo e da Poesia.

Peregrinos do Sonho, insatisfeitos,

A criação da Arte os anuncia!



THE ART’S PATH

Speaking of art and his followers, it is not as simple as it seems at first sight. No one is an artist because he wants to be, not everybody is born to be an artist.

Art – it is something very serious and it has to be treated with respect. This is the real and subtle image which is transmitted and which was given to us to observe in the paintings now shown in this sample by Antonieta Castro.

Her watercolours give us a profound dimension of her winged artistic spirituality, the magic universe and creative power which they cover, so sublime and intimate is her plastic expression and her message of ideal and beauty.

Her vision in the concept of art is perfectly defined in the figurative form as which her work is treated impressing them in a poetic coloured orchestration which envolves her tender and smooth stains, as covered by a transparent mantle of breeze and poetry.

There’s no doubt that we are in the presence of an artist with enormous talents. Congratulations and wishes of much success.

Thus, The Artists, the Chosen ones, The Heralds of Beauty and Poetry. Pilgrims Dreams, dissatisfied The Creation of Art announces them!

By: CASTRO REIS - (writer and poet) - 1991

Francisco Adrião

Arquivo: Edição de 20-06-2007 do Jornal Matosinhos Hoje

SECÇÃO: Sociedade

Antonieta Castro, uma autodidacta apaixonada pela pintura

A sensibilidade através de um pincel

“Antonieta Castro é bem o exemplo de que na escola não se aprende tudo. De nada servirão muitos anos numa escola de artes ou outra qualquer, a aprender técnicas, se não existir dentro de cada um, a sensibilidade que serve de trampolim para fazer uso do que aprendeu”.

Estas palavras de Lenamar podem, perfeitamente, servir de apresentação da pintora Antonieta Castro, pois apesar de não ter uma formação superior, possui uma sensibilidade que faz superar todos os estudos. “Nunca frequentei nenhum curso superior. Em Moçambique, até 1974, não havia Faculdade de Belas Artes. Sou autodidacta, baseei-me em livros de outros artistas, vi-os trabalhar, vi exposições”, explica a artista, que afirma não se sentir inferiorizada por este facto: “Sinto-me bastante bem, gosto muito e domino bem a técnica”.

Maria Antonieta Castro é uma pintora autodidacta, que iniciou a sua actividade profissional como desenhadora na Universidade de Lourenço Marques, actual Maputo, tendo trabalhado, mais tarde, em Portugal, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, no Porto, onde fazia desenhos de anatomia, biologia e citologia. Também ilustrou livros de carácter científico.

A sua participação em exposições colectivas é já incontável e as exposições individuais também têm sido regulares na última década. Maria Antonieta Castro já recebeu alguns prémios que distinguem a sua obra. A conversa com a pintora deixou transparecer o seu amor pela pintura, um fascínio que já vem “desde o liceu”, pois “gostava muito de desenhar”. Então, entusiasmou-se e nunca mais abandonou a sua paixão pela pintura. Em Moçambique, com o pintor Eugénio de Lemos, aprendeu várias técnicas e contactou com diversos materiais, o que lhe deu um conhecimento sólido para o desenvolvimento do seu trabalho, onde se podem encontrar aguarelas, óleos, acrílicos, etc.

Reconhece que as suas influências são variadas: pintores locais, pessoas, climas, cheiros, cores, frases, por isso, é possível detectar nos seus quadros algo de sensorial e uma força cromática muito forte. A pintora, que afirma estar afastada do meio, lamenta o pouco apoio que tem tido, apoio esse que, na sua opinião, é apenas dado “a uma classe de elite”, o que não a tem impedido de trabalhar e expor, estando representada inclusive no estrangeiro, quer em espaços públicos, quer em colecções privadas. Um pouco nostálgica, recorda outras pintores que aprecia como, Helena Abreu e Ana Estrela, António Luís. A pintora lamenta também o facto de nunca ter exposto as suas obras na Câmara Municipal de Matosinhos, mas acredita que ainda possa ser possível.

Talvez para compensar este afastamento do meio artístico, Antonieta Castro optou por dar aulas em casa e, assim, pode sentir-se mais realizada ao partilhar com as suas alunas a sua técnica e talento. Eduarda Durão, Teresa Malheiro, Filomena Alves, Marina Monteiro, foram algumas das suas alunas. Na sua pintura é possível detectar duas facetas: uma figurativa e outra que está ligada à técnica de manchas. “Gosto de trabalhar a mancha”, confessa a artista, que explicita:” Sem ser definida, é espontânea, a mancha sai e depois dou-lhe a forma”, “Não é planeado, é tudo no momento” Este gosto pelo que é natural, espontâneo, quase instintivo, está bem patente nalguns dos seus quadros.

A pintora, ao terminar a sua conversa com o MH, anunciou novos projectos, pois, no final do ano, deverá expor em Lisboa. Neste momento, a pintora mostra-se até disposta a dar aulas a crianças, encarando a hipótese de vir a realizar um workshop. Reiterou a sua tranquilidade a nível profissional, dizendo: “Sinto-me bastante realizada”.


Newspaper “Jornal Matosinhos” on the 20th June, 2007

SECTION: “EVENTS”

Self-taught artist, Antonieta Castro, with an enormous and strong passion for painting

Sensibility shown through a brush

Antonieta Castro is the good example that one does not learn everything in school. Infinite years in art school learning techniques, or any other, will not do much, if the person has no sensibility within him or herself – sensitiveness is essential - and a spring-board to use in what is learnt.

These words written by Lenamar, can be applied to this introduction of the painter, Antonieta Castro. She has no PhD’s, but she has an enormous sensibility, actually, one that is above any and all studies.

“I never went to University, actually, in Mozambique, there was no such thing until 1974. I am totally self-taught. I based myself in books of other artists, I saw other artists painting and went to many exhibitions”, says the artist who does not feel at all inferior or incapable to achieve greatness: “Actually, I feel quite well as I have the perfect domain in techniques”.

Maria Antonieta Castro is a self-taught artist, who started her activity as a designer in Mozambique and later moved on to Portugal. She also made scientific book illustrations.

Her participations in collective exhibitions are numerous, and she has had many private exhibitions in the last decade. Maria Antonieta Castro has received awards distinguishing her work. My conversation with the artist was clear on her passion to painting, and her fascination for art which “started in high school”, as she “loved making drawings” she went on saying. She then got enthusiastic and never gave up her passion for art. In Mozambique, together with the painter Eugénio de Lemos, she learnt the various techniques and also learnt to work with the various materials. This alone gave her the solid basis to develop her work which branches, watercolour paintings, oil paintings, acrylics, etc.

She admits that she has had been influenced by Portuguese painters, and people from all areas, by places, climates, odours, colours, and even phrases. Thus, in her paintings, one can easily sense something sensorial and a very strong chromatic force. The painter alleges that she is slightly away from the art leads. She is actually quite sorry that she has had little help, which in her opinion, is only given to “a small elite”. Yet, this has not stopped her from exhibiting her work. Actually, her work can also be seen overseas, both in public places and in private collections. With a slight nostalgic, she refers to other painters she admires, such as Helena Abreu and Ana Estrela.

In her paintings one can distinguish two aspects: one is symbolic and the other to do with the stain-like technique which she confesses she likes doing: “although not accurate, it is spontaneous, not planned, and it all comes to me in the spare of the moment”. The love she has for all that is natural and spontaneous, almost instinctive, is well shown in her paintings.

At the end of the interview, the painter announced her new projects in her area which include an exhibition in Lisbon at the end of the year.

At present, her love for art is so strong, that she even teaches children and adults – for the near future, she is considering a workshop. She ended by saying firmly “I am quite happy with what I have accomplished”.

By: Francisco Adrião

Manuela Oliveira

(Comunicação e Relações Públicas)


Se aguarela é transparência, as aguarelas de Antonieta Castro buscam exactamente a desconstrução da opacidade: as suas paisagens são brumas de cores, as suas figuras levitam, desenham atitudes de leveza. Por vezes, é apenas uma mancha de cores que toma conta do espaço, como um foco de energia que brota de um ponto e que cresce, à imagem do próprio Espaço, do qual somos ínfimas partículas.
A energia que salta das aguarelas da Antonieta Castro é sempre positiva, é sempre solar, não fosse ela uma africana, moldada pelas cores da terra das savanas, pelo sol dos trópicos e pelas brisas do Índico.


MANUELA OLIVEIRA
3 de Dezembro de 2007

If watercolour is a painting technique which conveys the feeling of transparency, Antonieta Castro’s watercolours seek exactly the decomposition of opacity: her landscapes are coloured hazes, her characters levitate, drawing gestures and peaceful attitudes. Sometimes there is only a coloured spot dominating the paper, as if it was a spot of energy that springs and grows from a point, as it happens in Space, where we are but particles.
The energy that springs from Antonieta Castro’s watercolours is always positive, always light, hadn’t she an African soul, moulded by the colours of the savannahs, the tropical sun and the breezes of the Indian ocean.

By: MANUELA OLIVEIRA Dezembro de 2007

Carlos Vieira

(Relações Públicas)

O intenso esplendor de luz e a pluralidade cromática proporcionam à pintora Antonieta Castro uma grande expressividade que a artista capta com mestria ao representar os elementos da vida – a água, o fogo, a terra e o ar.

Ao deter-se nas subtilezas do quotidiano, a aguarelista usa traços soltos e leves com a perfeita noção de perspectiva e de equilíbrio, num movimento de formas que exprime emoções e sentimentos.

Mesclados harmoniosamente, tons e manchas envolvem as figuras humanas em mistérios que, fazendo apelo à imaginação, transformam cada obra numa peça de rara beleza estética.

(Texto do convite da exposição no Centro Unesco do Porto - 1997)

The intense splendour, the light and the chromatic plurality give Antonieta Castro her enormous means of expression. This artist captures majestically the four elements of – water, fire, earth and air.

By sensing the fine and daily subtleness’s, this water-painter, applies in her work, loose and light drawings and traces with the perfect notion of perspective and balance, in a movement of forms, and is able to express emotions and feelings.

The harmonious mixture of tones and traces involving human figures in mystery is done in such a manner that one’s imagination is awakened. She transforms each of her work into a rare and beautiful piece of art.

By: CARLOS VIEIRA

(This is one of the texts that resulted from the exhibition which took place at the UNESCO Centre in Oporto – 1997)

Sérgio Mourão

(Jornal Comércio do Porto – 30 de Maio de 1998)

A ENERGIA DO TEXTO CROMÁTICO

Antonieta Castro na Unesco

A pintora Antonieta Castro, que acabou de expor os seus trabalhos no Centro Unesco do Porto, veio confirmar a excelente surpresa que nos proporcionou, quando da sua exposição colectiva no ano passado, sob o tema «Porto Património Mundial», onde apresentou um conjunto de peças marcadas de elementos lumínicos e cromáticos de grande sedução e expressividade.

Nesta exposição individual de aguarelas, a artista revela os talentos que caracterizam um gestualismo de desenho e de mancha, valorizado por um texto cromático e humanista bastante energético e sedutor.

Neste sentido, as imagens que nos apresenta estão envolvidas de uma força mítica e, ao mesmo tempo, comunicam à imaginação do observador a transparência da simplicidade matérica das personagens indefinidas e pensantes, mas também carregadas de emoções e transcendências.

Para lá de algumas peças em que o decorativo se sobrepõe ao conceptualismo poético e gestualista, o trabalho da pintora activa a consciência do ser e liberta as explicitações de um mundo novo que se situa no plano das essências que estão orientadas para as paisagens interiores cujas linhas de força são seguramente sustentadas por vínculos pictóricos que formalmente dão mais vigor à intenção criativa da artista,

Pode dizer-se que na pintura de Antonieta Castro há uma liberdade maior na expressão e transparência da cor, motivo por que a aguarelista consegue alcançar superior sedução sempre que recorre a um eixo combinatório de natureza gestualista, funcionando este como entidade espiritual susceptível de explicitar o encantamento do seu léxico cromático, onde o sentido de mistério e de evasão cosmológica estão também patentes.

THE ENERGY OF THE CHROMIC TEXT - Antonieta Castro exhibits at Unesco
The painter Antonieta Castro, who has exhibited her work at the Oporto UNESCO Centre, has confirmed the excellent surprise she proportioned us with last year at the collective exhibition which took place under the theme: “Oporto’s World Patrimony”, where she exhibited a set of co-joined work marked by luminic and chromic elements of grand seduction and expressiveness.
In this individual exhibition of watercolour paintings, the artist reveals talents characterising a movement of drawing and stain, valued by a chromic and humanist text which is very energetic and seductive.
Thus, the images she shows us are involved by a mystic force and, at the same time, they communicate with the imagination of the observer outstanding the transparency of the anthithesis between mind and matter of the indefinite and thinking personages, but also, full of emotion and transcendency.
Apart from some work in which the decorative surpasses itself by the poetic and gesture conception, the work of the artist activates the human conscious and liberates the explicitness of a new world situated in its essence, oriented to the interior landscapes wherein its lines of force are surely sustained by pictorestic lines giving a stronger vigour to the artist’s creativeness.
One can say that in Antonieta Castro’s paintings, there is a wider freedom of expression and transparency of colour, a motive by which the watercolour painter manages to reach a superior seduction whenever she reaches the linkage of the gesture of nature, thus functioning as a spiritual entity susceptible to explicit the enchantment of its chromic lexicon, where the sense of mystery and the cosmic evasion are also obvious.
Signed by: SÉRGIO MOURÃO Translation of article published in “Comércio do Porto” May 30th, 1998

Lenamar

(Jornalista)


SUBTILEZAS E TRANSPARÊNCIAS

Antonieta Castro é bem um exemplo de que na escola não se aprende tudo.

De nada servirão muitos anos numa escola de artes ou outra qualquer, a aprender técnicas, se não existir dentro de cada um, a sensibilidade que serve de trampolim para fazer uso do que aprendeu.

Mas além deste exemplo, a artista é um outro caso raro de quem faz do desenho a sua profissão em áreas onde o mesmo é obrigatoriamente “perfeito”, não conseguindo depois “libertar-se” desse perfeccionismo profissional nos seus trabalhos artísticos.

No caso presente, quando “encerrada” no seu atelier, passa a ser a pintora e não a desenhadora por profissão. Graças a este divórcio, podemos apreciar nas suas aguarelas uns traços muito soltos, um brincar com o lápis numa leveza que já de si suave “casa” muito bem com as manchas de tons ora delicados, ora mais agressivos, mas sempre em perfeita sintonia.

Podemos, aliás, quase classificar Antonieta Castro como uma aguarelista de manchas, onde o que lhe parece ser ganha forma e passa a ser certeza no trabalho final, para todos os que apreciam.

Voltada essencialmente para o figurativo, transmite, sobretudo através do corpo da mulher, toda a sensualidade, delicadeza, ou mesmo timidez que a figura feminina encerra em si, são expressões fugazes ou não, mas deixam mensagem que muitas vezes se procura num trabalho e não se encontra. Para além do que nos é permitido ver, é-nos dada a possibilidade de imaginar, de descobrir ou interpretar o que muitas das suas manchas podem contar.


TRANSPARENCIES AND SUBTILITIES

Antonieta Castro is a good exemple that we don’t learn everything at school.

It is no use being many years in an art or in any other one learning technical theories if we don,t have sensibility which serves as a spring-board inside us to make use of what we have learnt. Besides this example, the artist is another rare case where by she makes the painting her profession in areas where it is compulsory to be “perft”, not allowing any liberty, in a later stage in her professional perfection of her artistic work.

In the present case, when “confined” in her studio, she becames a painter and not a simple drawer by profession. Do to this “separation” we can appreciate in her watercolours some loose traces where she plays with the lightness and smoothness of her pencil which she matches very well with the delicate stains or aggressive ones, but always in perfect syntony.

We can almost classify Antonieta Castro as a watercolour painter where what seems to be a simple form becomes a definite one at the end of her work, where we can all appreciate it.

Essentially turned to the figurative, she transmits especially through a woman’s body, all the sensuality, delicateness or even the shyness of an enclosed feminine figure. They are transitory expressions, or not, but they leave the message that we almost always look for in a work but we don’t find it.

Beyind what is “permitted” to observe, we are given the possibility to imagine, to discover or interprete what the stains want to tell us.

By: LENAMAR – Translation of article published in “Voz de Gaia” – 30.04.1997

Hélio Cunha

(artista plástico)

Para criar uma obra dominando simultaneamente a composição e a transparência, num meio em que a cor branca é dada pelo próprio papel, é necessário algum virtuosismo e, principalmente, é essencial saber quando se deve dar a pintura por terminada. Este preceito tão decisivo em qualquer género de arte é fundamental, pois neste tipo de pintura nada se pode emendar ou refazer. São estes os motivos pelos quais o meio invariavelmente escolhido na arte monástica oriental, de tradição Zen, é por excelência a aguarela.

Na Europa, desde os artistas que iluminaram manuscritos medievais até Paul Klee, muitos pintores produziram grande parte ou a totalidade do seu trabalho utilizando também este método.

Para além da sensibilidade que demonstra, Antonieta Castro, parece dominar as técnicas e as intuições que tem desenvolvido ao longo dos anos e lhe permitem alcançar graus de segurança e espontaneidade que lhe dão ao seu trabalho uma credibilidade exemplar.

As transparências, o traço e a gradação tonal não se entrechocam ou antagonizam, antes se equilibram numa relação estética de discreta eficácia de modo a propiciar o equilíbrio da forma com o vazio.

É evidente que nestes quadros existem sempre figuras, embora diluídas num certo grau de abstracção. No entanto é preferível não pensar nas histórias que essas figuras possam querer eventualmente contar. Elas não são a exumação de momentos passados, nem contêm o subjectivismo sentimentalista das recordações que, tal como dizia René Chateaubriand, não passam de ruínas nocturnas examinadas à luz deformante de um archote. Estas figuras representam, não a recordação dos momentos, mas sim a intuição do que neles há de fugaz e verdadeiro.

Assim, a pintura de Antonieta Castro deverá ser entendida como um conjunto de equilíbrios formais, diluídos numa espécie de mistério primordial, de onde se destacam e cintilam, harmoniosos e mágicos esses instantes.

In order to create a masterpiece simultaneously dominated by a composition and a transparency, in a setting in which the white colour is given by the paper itself some virtuosity is elementary and it is essential knowing when the painting is given as finished. This principle, in any type of art, is fundamentally decisive, this kind of painting can not be rectified or remade. These are the reasons which the ambiency chosen by the oriental monacal art, the Zen tradition, is by excellence the watercolours.

Through out Europe, since the time artists illuminates the medieval manuscripts till Paul Klee, many artists produced a great deal or all of their wirk using this method.

Beyond the sensibility that is demonstrated, Antonieta Castro seems to dominate the techniques and intuitions which have developed during the years and have permitted to achieve a certain degree of security and spontaneity that gives her work an example credibility. The transparencies, the traces and the tonal gradation don’t clash or conflict, instead they balance in an efficient discrete esthetic relationship in order to propiciate the balance of the form with the abstract.

It is evident that in these paintings there are always figures, though diluted in a certain degree of abstraction. Although it is preferable no to think about the stories which these figures may eventually want to tell. They are not exhamation of past moments nor do they contain the subjective sentimentalist memories, which as René Chateaubriand used to say, are nothing but nocturnal ruines examinated by the distorted light of a toch. These figures represent not memories of moments, but it’s fugacious and true intuition.

Thus, Antonieta Castro’s painting should be seen a whole of formal balances, diluted in a kind of primitive mystery, from where those harmonious and magical instant stand out and scintillate.

By: HÉLIO CUNHA – (painter) – 1996